Motel Rashômon

EM MOTEL RASHÔMON A VERDADE SE TORNA OBJETO DE DISPUTA, VIOLÊNCIA E PODER

Espetáculo é inspirado em conto do japonês Ryûnosuke Akutagawa

Como se constrói uma verdade? Esse é um dos pontos levantados pelo espetáculo MOTEL RASHÔMON. Com uma pesquisa que partiu do conto Dentro do Bosque, do escritor japonês Ryûnosuke Akutagawa, a nova montagem da Cia Santa Cacilda (a mesma de Plínio Conta Estrelas) tem direção de Roberto Audio e elenco formado pelos atores Raquel Anastásia,Tertulina Lima, Alessandro Hernandez e Ernandes Araujo.  

 

A atriz Raquel Anastásia, que é a idealizadora do projeto, diz que o que mais a encantou no conto de Akutagawa foram as sete versões e todas críveis de um mesmo acontecimento. “Em Motel Rashômon, são quatro as versões que recaem sobre o assassinato de um político , onde cada uma delas se torna um objeto de disputa de quem esta certo e de quem está errado. Este foi o ponto inicial de inquietação evidenciado a nós na obra, sobretudo quando a colocamos em contraponto aos dias em que vivemos. Apresentei essa ideia para o Marcos Gomes, dramaturgo e, junto com ele,eu e a atriz Tertulina Lima, começamos a pensar em como transpor esse conto para os dias de hoje e aproximá-lo da realidade brasileira”.

O trio passou a pesquisar uma serie de crimes de cunho políticos e passionais. Foram eles que serviram de material para o Marcos desenvolver a dramaturgia. “Assisti também a alguns júris populares, filmes e séries que me fizeram pensar: até que ponto sabemos o que realmente aconteceu com esses crimes que geram uma enorme comoção popular? A opinião tem acesso a todos os fatos? Como isso é filtrado? A quem interessa as informações que são divulgadas e como essa verdade é construída”, questiona o autor.

Sinopse do espetáculo

Contemplado com o PROAC de Montagem e Temporada de Espetáculo Inédito, MOTEL RASHÔMON é uma trama cheia de percalços, mas muito familiar: um político é assassinado e as investigações sobre sua morte levantam várias suspeitas. E, a partir delas, inúmeras possibilidades. Aqui, não interessa em primeiro plano desvendar os motivos que geraram esta morte, mas navegar pelas perspectivas que ela produz – vasculhando os diferentes caminhos e observando suas afirmações e contradições, investigando a verdade e colocando sobre ela algumas dúvidas: seria a verdade um fato ou uma construção? Uma realidade em si ou um mito alheio aos diferentes pontos de vista?

Ficha Técnica

Dramaturgia: Marcos Gomes

Direção: Roberto Audio

Elenco: Raquel Anastásia, Tertulina Lima, Alessandro Hernandez e Ernandes Araújo.Assistente de Direção: Josafá Filho

Cenografia, Adereços e Figurinos: Telumi Hellen

Desenho de Luz: Melissa Guimarães.

Música Original: Ricardo Severo.

Operação de Luz: Caroline Veiga.

Operação de Som: David Bemfica.

Técnica de Palco: Amanda Tolentino de Araujo.

Preparação Corporal: Paula Salles.

Projeto Gráfico: Angela Ribeiro.

Fotos: Cacá Bernardes.

Vídeo: Bruta Flor Filmes.

Direção de Produção: Raquel Anastásia e Tertulina Lima.

A linguagem

A narrativa da peça não é linear. Assim como a encenação, que fragmenta um objeto único (o espetáculo) em diferentes aspectos e elementos, proporcionando diversas apreensões e maneiras de edificar um discurso sobre o que se vê. Cabe ao público decidir qual versão acredita ou sair de lá sem conclusão alguma.

O cenário coloca os personagens em quatro nichos diferentes e o público entre eles. Em determinado momento, a plateia sente-se como se fosse um júri ou um dos personagens na cena. A ideia é que o cenário se confunda tanto com um tribunal ou uma sala de ensaio. "Mesmo que em algumas cenas, os personagens pareçam estar em um ringue, travando verdadeiros duelos para defenderem seu ponto de vista”, comenta o diretor Roberto Audio.