A Velha da Rua Excelsior

A Velha da Rua Excelsior é um espetáculo inédito da Cia La Plongée direcionado ao público jovem, a partir de 14 anos, e trata das relações humanas, com foco no núcleo familiar, apresentado questionamentos sobre culpa, ética e moralidade, de forma sarcástica e irônica, utilizando como linguagem o recorte do cinema e a agilidade dos quadrinhos.

São quatro atores em cena, interpretando uma família de questionáveis valores éticos e morais. Neste espetáculo, a ideia de família não é aquele lugar do acolhimento, mas sim o lugar corrompido, com valores distorcidos.

 

Como referência para a construção do espetáculo, está um dos maiores romances da literatura: Crime e Castigo, de Dostoiévski. A condução da narrativa e trajetória dos personagens seguirá os tempos psicológicos, suas angústias e dúvidas mais íntimas. Reforçando essa linha de conflitos internos, o espetáculo também é inspirado nos filmes de Woody Allen, mais precisamente na trilogia Crimes e Pecados, Match Point e o Sonho de Cassandra.

 

Cia La Plongée em cena do espetáculo Não se deve...

Sinopse do espetáculo

Uma família que vive de pequenos golpes. O pai Joubert rouba livrarias, sebos, bibliotecas e farmácias. A mãe Sofia administra esse pequeno comércio informal de antidepressivos e antigripais. A filha Raquel gosta de rock pesado e entrou numa nova relação amorosa com Samir, um jovem melancólico e tímido. A descoberta de uma pequena fortuna na casa de uma velha moradora da vizinhança aglutina a família em torno de um dilema moral.

Ficha Técnica

Dramaturgia e direção: Lucas Mayor

Elenco: Maurício Bittencourt, Gabriela Fortanell, Antoniela Canto, Marcelo Selingardi

Sonoplastia: Mário Bortolotto

Figurino e Cenário: Letícia Madeira

Iluminação: Marcos Loureiro

Cia La Plogée em cena do espetáculo Patrimônio

A linguagem

Como linguagem, a dramaturgia apresenta o recorte do cinema e a agilidade do quadrinho e é inspirada em filmes como Fargo, filme dos irmãos Coen e Os Excêntricos Tenenbaums, de Wes Anderson, apresentando pessoas no limite e com uma disfuncionalidade nada perceptível para quem está dentro desse núcleo e muito clara para quem vê de fora.

A dramaturgia trabalha com cruzamento de tempos psicológicos. Não se sabe qual o exato momento em que determinada ação ocorreu. O tempo é fragmentado, suspenso. Seguindo uma linha dramaturgia próxima a dos texto de Mário Bortolotto, Jô Bilac e Nicky Silver, A Velha da Rua Excelsior valoriza o tempo interior e não dos acontecimentos .

 

O texto tem relação direta com a obra de Raymond Carver que traz na sua literatura esse conjunto de pessoas que estão “fora do lugar”, que não se encontram no padrão de vida funcional e regular e são destituídas de qualquer chance de atingir um “grande momento na vida”. A vida delas não aconteceu. Ainda assim, precisam continuar vivendo. Vivem com o que sobra, com o que resta viver.